Do que você tem medo? 20 Setembro, 2008
Posted by lucasduquette in Todos os posts, Variado.trackback
Quando eu era pequeno, ficava sozinho em casa. Meu pai e minha mãe precisavam trabalhar e, depois da aula de manhã, não havia ninguém para ficar comigo. Eu já era crescidinho, tinha uns 6 ou 7 anos. Sabia me virar! Fazia sanduíches para eu comer, brincava no meu video-game, assistia televisão e tudo que eu tinha direito. E das 13h até as 19h, ficava lá sozinho. Não nego que gostava. Era bom! Nunca tive muito espaço para mim mesmo, já que antes eu ficava na casa da minha vó. E aquela era uma boa oportunidade para praticar minha imaginação. E isso significava pular para lá e para cá, imaginando ser o mais valente dos heróis. E, sem ninguém para rir ou julgar, eu realmente era. O problema era o meu super-vilão…
Acontece que o piso de madeira estalava. E você com certeza viu isso algum dia na sua aula de física, pouco antes de virar para o seu colega de classe para dizer que não estava entendendo nada. É algo a respeito da temperatura, dilatação de materiais… enfim! Não exija demais de mim. O maldito piso de madeira simplesmente estalava. E não era um “tec” comum. Eram seguidos! Algo como alguém andando pelo cômodo que eu não conseguia ver. Eu corria para o telefone e ligava para minha mãe ou para meu pai.
Eles ainda eram pacientes. Me ouviam, diziam que não era nada e que não havia porque me preocupar. Era só eu correr lá para dentro e ver que não havia ninguém. Mas e o medo? Era muito maior do que eu. Se eu era o Super-Homem na minha imaginação, ali estava minha kryptonita. E daí eu ficava no lugar que eu julgava mais seguro: a sacada. Se alguém estivesse realmente em casa, poderia gritar e alguém do prédio ver. Se não… bem, eu ainda teria um espaço para brincar. Ainda que cautelosamente.
Penso que crianças são crianças justamente pela sua inexperiência. Não nascemos sabendo de tudo, temos que aprender a conviver e a lidar com os desafios que aparecem na nossa frente. Tendo isso em mente, é válido dizer que diante de incertezas da vida voltamos a ser criança. Todos nós temos “alguém dentro de casa”, de uma forma ou de outra. O instinto é realmente nos escondermos na varanda, prontos para pedir por socorro a quem puder ouvir.
E já reparou como é muito mais fácil resolver o problema dos outros? É tudo tão simples. Você ouve, analisa e lista as opções para dar um ponto final na questão. Escolhe a melhor – ou menos ruim – e pronto! Problema resolvido. E há sempre alguém para aconselhar. Alguém para tentar abrir os seus olhos, dizer que “está tudo bem”, que você consegue enfrentar aquilo, como se fosse a coisa mais fácil do mundo.
Será que não é?
Derrotismo é uma palavra forte, descobri isso recentemente. O maior problema é que essa força vem da sua recorrência. Ele está em todo o lugar, em todos nós, especialmente naquela hora em que suspiramos o “eu não consigo”. Quantas vezes já não dissemos isso? Encaramos o problema e nos conformamos com nossa inabilidade de lidar com ele. É tão mais cômodo.
Aliás, o tal problema deixa de ser o personagem principal. Torna-se mero acaso da vida, algo que esbarrou na gente. Gostaríamos de resolver, mas sabemos que é impossível. São tantas outras dificuldades que precisamos nos preocupar, que nos impedem de fazer aquilo que queremos. É tão mais fácil assim! Afinal, se não tentarmos, não falharemos. É infinitamente mais simples conviver com a incerteza do que “poderia ter sido”. Tudo porque não acreditamos em nós mesmos. Às vezes, porque não acreditamos nos outros quando deveríamos. Criamos barreiras e obstáculos para o nosso caminho. Chega a ser um absurdo, mas temos medo de crescer. Nos proibimos de resolver os nossos próprios desafios porque não nos julgamos capazes de tal tarefa. E quer saber? Talvez não somos mesmo. Podemos ser, no final das contas, incapazes de superar alguma adversidade que aparece na nossa vida.
Mas, ainda assim, seremos vencedores se tentarmos. Na derrota, na nossa falha, podemos encontrar o sucesso. Não da resolução da maneira que queríamos, mas da coragem de enfrentar de frente os nossos fantasmas. Deixar de empilhar dificuldades, algumas até mesmo inexistentes, que nos impeça de fazer o que queremos. Saber dizer “sim”, ou até mesmo dizer “não” quando devemos. Seguir o próprio coração, o instinto ou a vontade. Aquilo que acreditamos ser certo, mesmo quando o caminho é duvidoso. Existe uma grande possibilidade de falharmos, escolhermos a opção errada, é verdade. Mas vamos nos orgulhar em dizer que tivemos a ousadia de aproveitar as oportunidades que nos foram apresentadas. Nos orgulharemos de dizer que tivemos a ousadia de fazer algo que poucos fazem na vida: viver.
Quando eu era pequeno, ficava sozinho em casa. E toda vez que o piso de madeira estalava, eu ficava com medo de que houvesse alguém lá dentro. Corria e me escondia na varanda, até os meus pais chegarem. Mas uma vez, fiquei muito apertado para ir ao banheiro. Pensei em segurar a vontade, mas não dava. Faltava muito tempo para que algum adulto chegasse.
Fechei meus olhos e dei um longo suspiro. Saí da sacada e caminhei devagar para a sala, indo em direção ao banheiro. Cerrei meus punhos mais forte do que nunca, enquanto andava até o quarto dos meus pais, de onde o constante barulho vinha. Parei pouco antes de chegar, hesitante, duvidando de mim mesmo, do que poderia acontecer se eu continuasse o que planejava. Apoiei as costas na parede ao lado da porta e respirei fundo. E num ato de extrema coragem, dei um pulo para a frente da entrada, preparado para tudo!
Encontrei a porta do armário aberta, com o espelho interno que minha mãe usava para se arrumar. E lá estava o meu reflexo…
De fato, na vida é preciso ter coragem. Ser covarde, é não tentar, com medo de não dar certo ou de decepcionar-se.
A vida é como uma batalha, onde o nosso inimigo, é você mesmo.
Belo Post!
Te convido a visitar meu blog
http://comideiaseideais.blogspot.com
Excelente texto cara. Muitas vezes temos receio de enfrentarmos os nossos piores medos, mas se tivermos um pouco de coragem e força de vontade, saíremos de qualquer desafio por cima.
É tudo questão de força d vontade.
Obrigado pelos comentários do blog.
Abraço!
Nossa! Muito bom o texto amigo! Me reconheci em muitos trechos do seu texto. Tmabém tive muitos medos, mas de alguma forma estava salvaguardado com os meus irmão. Se bem que não adiantava, já que os três ficavam com muito medo…rsrs
Então era um cuidando do outro, mas todos com medo do “monstro do quarto de baixo”
Bom vou ficando por aqui, gostaria de linkar seu blog..é possível? Ante dê uma passadinha no meu. Abraço!
Meu medo de ficar em casa sozinha era diferente. Eu tenho medo do abandono. Ficaria com medo dos meus pais não voltarem. =/
estranho, não é?
Tive muitos medos quando crianca….
mas passo!