Eleições 2008 30 Agosto, 2008
Posted by lucasduquette in Todos os posts, Variado.trackback
Ah… a política. Não é linda? Não é maravilhosa? Posso até sentir o doce aroma da tinta usada na reforma das escolas públicas para mostrar serviço na última hora. É no mínimo… inspirador.
Para os que desconhecem, sou residente da cidade de São Paulo. E como qualquer outro município brasileiro, estamos prestes a entrar nas eleições. Propaganda é o que não falta, seja no tradicional “corpo-a-corpo” na rua ou na modernidade das comunidades do Orkut. Ontem mesmo, andando pelo centro da cidade, fui abordado por pelo menos três ativistas de algum partido, entregando bandeirinhas e adesivos de seus candidatos.
O mais incrível é que eles realmente repetiam os bordões da campanha. “São Paulo com nova atitude, cara! Pegue uma bandeira”, dizia um dos mais animados. Ele estava a uns 3 metros de distância, mas a empolgação dele não o impedia. Chegou mais perto, aos pulos, e continuou gritando como se ainda estivesse longe. “Tá na hora da mudança, cara!”, insistiu. Só se for na mudança dele, saindo do meu espaço pessoal, de preferência.
Obrigado.
Não me entendam mal, eu gosto de política. Me interesso demais até, ao ponto de irritar alguns amigos. Adoro ler a respeito e jamais nego uma boa discussão sobre o assunto. Gosto mesmo! Mas não deixo de negar um certo humor involuntário em toda a eleição. E não estou falando de candidatos bizarros (DeLeon, caçando corruptos), com propagandas que parecem ter sido planejadas para nos divertir.
Para ser franco, acho que eu não conseguiria ser político. Sério, não dá. Concluí isso assistindo o debate para a eleição da prefeitura que aconteceu na Band, faz algum tempo. Juro que ia me descontrolar. Não ia conseguir permanecer com a mesma postura que os candidatos ali apresentaram.
E a partir de agora vou tentar ser o mais imparcial possível. Se você for inteligente o bastante para entender que isso é praticamente impossível, continue lendo. Se não, continue mesmo assim, pode render algo engraçado.
Mas como, por favor me digam, COMO poderia agüentar segurar o riso toda vez que o Maluf falasse? Sério… sou só eu? Não sei. Mas tenho acessos. A voz, o jeito e aquela cara de quem vai me vender um tapete persa, não sei. Mas me afeta.
E a Marta Suplicy? Se eu não a conhecesse e nunca soubesse nada a respeito dela, talvez eu tivesse dó do derrame que ela teve. Mas eu a conheço e sei que não foi derrame! Aquilo é botox! É incrível! Ela realmente tem um lado do rosto paralisado, num constante sorriso torto de dar inveja ao Coringa. Gente, não dá para não agüentar.
E eu realmente me imagino num debate desses. Me imagino pedindo desculpas educadas ao telespectador, ao Boris Casoy e aos outros candidatos. Fico visualizando a minha imagem na televisão, olhando para baixo, respirando fundo e me recompondo. Fechando os olhos e pensando o quão importante aquilo é, que eu preciso me controlar. Até o Gilberto Kassab abrir a boca. O cara tem a língua presa e não tem queixo! Como diabos eu não vou dar risada?
Definitivamente não serviria para o debate. Não ia saber contra-argumentar, não ia saber me expressar. E ainda teria de olhar para o Geraldo Alckmin fazendo bico e lambendo os lábios enquanto pensa, além de constantemente imaginar a Soninha no gabinete de prefeito fumando um baseado.
Aí eu lembro de um dos meus comediantes favoritos, Gabriel Iglesias, que numa apresentação de stand-up retratou o problema das eleições dos Estados Unidos. E a verdade é que temos exatamente o mesmo problema aqui no Brasil.
Muito se fala a respeito do voto inconsciente e debochado, há até comerciais na televisão falando a respeito. Alguns blogs, inclusive, iniciaram uma baita campanha para que as pessoas valorizem seu voto e pensem antes de digitar aqueles números na urna eletrônica. Há um consenso de que o brasileiro simplesmente não gosta de política e, conseqüentemente, não gosta de votar. O que é, no final das contas, uma mentira.
Brasileiros adoram votar! Mas nós não votamos em políticos. Votamos em coisas como… Big Brother. Porque é divertido! E é exatamente o que deveria ser feito em todas as eleições brasileiras. Colocar todos eles na televisão, todos os dias, durante uma hora. E, plagiando ainda mais Iglesias, deveriam usar um nome bem sonoro para o programa; algo como Who’s Gonna Run This Bitch? .
A eleição brasileira perfeita, sem dúvidas.
P.S.: E antes de qualquer ativista político vir até aqui, me criticar duramente pelo descaso com que eu trato as eleições brasileiras, processo importantíssimo na democracia brasileira, me explicando que o problema é exatamente este, como as pessoas simplesmente não levam a sério algo tão importante no futuro do país… aaaaah, que se foda. Nossos políticos não nos levam a sério já faz anos e a única coisa que você faz a respeito é discutir sobre isso, enquanto toma sua cerveja.
Eu pelo menos ainda dou risada.
Eu não voto em São Paulo, pois moro em São Caetano do Sul e posso dizer que vivo, todos os dias, nas oscilações de consequências políticas e do descaso. São Caetano é uma das cidades mais organizadas do país. Obviamente que estou falando duma cidade pequena, mas há várias cidades pequenas que têm tantos problemas que é melhor não se atentar a esse detalhe. A política aqui também às vezes parece de brincadeira, mas a organização da cidade é algo espetacular. A saúde aqui é coisa de primeiro mundo, e não vamos lixo nas ruas como em São Paulo. Aqui votamos contra quem aparentemente trás risco de não continuar um trabalho bem feito. Já em São Paulo, vota-se para tirar a cidade do caos. Sinceramente eu não sei onde estão as respostas pra tudo, ainda não sei se os candidatos são idiotas ou se é a população que se permite ser taxada de idiota (a segunda opção ainda prevalece no meu pensamento). Eu não reconheço o país que lutou contra a ditadura.
eu tbm não voto em sampa sou de porto alegre,a cidade está bem ruim em alguns pontos,não tanto ao caos de São Paulo,mas em questão de segurança. Realmente estou um pouco desencantado,isto que será a primeira vez q irei votar,mas enfim,é a vida,é a hora de fazer a diferença.
Texto perfeito, este seu! Todos os políticos são atores, por isso eles conseguem não rir da cara do Maluf. Gostaria que filmassem os intervalos dos debates. Assim, a gente vislumbraria um pouquinho da verdade.
Em Porto Alegre não tem Soninha, mas tem Manuela, uma candidata que fala “E aí, beleza?” o tempo todo. Conseguiu se eleger deputada por causa desse bordão.
Aliás, os políticos deveriam ser obrigados a cumprir seus mandatos até o fim. Nada de deputado largar o “trabalho” para concorrer à prefeitura!
Adoreiii teu texto.
:P
sou uma paulistana triste porque são sempre os mesmos políticos, falando as mesmas coisas …não agueto mais tanta cara de pau
Duquette, passei por aqui vindo lá da comunidade do orkut. Gostei do seu blog. leitura fácil e interessante. Só aumentaria a letra.
Opa! Primeiramente obrigado pelos elogios cara. É muito importante quando alguém comenta um texto elogiando.
Eu não curto muito eleições, apesar de acompanhar um bocado de política. Em Belo Horizonte então, onde os candidatos mesmo não fazem nada, a campanha é toda baseada em nomes importantes que apóiam. Me desanima.
Mas o texto ficou excelente.
Abraço!